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Religiosidade Popular

Timor, até à chegada dos missionários, era animista. O animismo timorense é uma forma de agir que não faz distinção entre pessoas e coisas. Depois de 1515, os missionários conseguiram uma síntese entre as duas crenças, que ainda hoje sobrevive. De facto, os timorenses dizem-se conquistados pela fé e não pela espada.

Em grande parte, o cristianismo aproveitou crenças e ritos animistas e “baptizou-os”.
Esta teoria está bem exemplificada no mito do arroz, em que um príncipe se sacrificou, imolando-se, para que houvesse uma boa colheita. Foi relativamente fácil encontrar parecenças com a história do sacrifício de Abraão. Mais do que se sobrepor ao animismo, a educação cristã ajudou a fazer sínteses.
 

ANIMISMO

O animismo e as crenças anímicas funcionam como orientadores da vida quer nas suas facetas profanas, quer nas sagradas.

O universo animista está dividido em três mundos: céu, terra e regiões inferiores.
O céu é a morada das entidades divinas, a terra a morada do mundo dos vivos, e as regiões subterrâneas, a morada dos mortos, dos antepassados, ou seja, os espíritos da terra. Este último, é simbolizado pelas serpentes e pelos crocodilos.

O ser supremo é Deus, Marômac. Este é uma divindade bipartida como a noite e o dia,
o sol e a lua. A serpente, identificada com a lua é a outra face de Marômac, castiga os infractores das regras estabelecidas pelos antepassados.

No centro da aldeia é construida a casa sagrada, a uma lulik, onde são guardados objectos considerados sagrados, lulik, e que podem ser uma espada, uma pedra com aspecto singular, um objecto de um antepassado guerreiro, uma catana, correntes de ouro e muitas vezes, uma bandeira, um documento, entre outros objectos. Aqui habitam os espíritos de antigos guerreiros, antepassados dos que habitam o povoado ou o reino.
Esta é uma imagem do mundo: a cobertura é o céu, o seu pilar ou poste principal é o eixo do mundo. Na sua base são feitos os sacrifícios em honra de Marômac.

A uma lulik é propriedade de toda a população e um elemento de união entre os seus habitantes.
A sua guarda e manutenção é entregue a um velho, catuas, ou velha, ferik, do clã.
Em tudo semelhante às outras casas, distinguem-se destas pelos ornamentos
e esculturas de aves em madeira, pelos remates das coberturas e pelos crocodilos
e lagartos, ou seios de mulher esculpidos ou incisos na madeira das portas.

As pedras, as árvores, especialmente as de grande porte, as ribeiras, as florestas, para os animistas, têm alma. Tudo o que é lulik tem alma como as pessoas. As montanhas elevadas são habitadas pelas almas dos mortos.

Os matan doc (ver ao longe), são pessoas muito respeitadas. São curandeiros e feiticeiros que ainda hoje subsistem e têm diversas atribuições: embruxamento ou quebranto sobre qualquer objecto que tenha pertencido a uma vítima, a venda de remédios, recitar de orações e actividades curativas.

CRISTIANISMO

Timor é terra de conversão por excelência. Com 97% de católicos, praticantes na sua maioria.

Foi através dos portugueses, navegadores e missionários, que o povo timorense entrou em contacto com a religião católica. Mas antes disto, os timorenses tinham já a sua religião cujas actividades espirituais eram orientadas pelos catuas lia nain do lulikLuliksignifica sagrado.

Antes de conhecerem o cristianismo já este povo religioso conhecia e respeitava profundamente Deus, Marômak. Sabiam que existia e estava em toda a parte. Sabiam que a Natureza tinha um Dono, Nain, por isso prestam culto ao dono através da Natureza. Sabiam também que Marômak é um Deus vivo, que se tinha feito homem, sendo nós a Sua imagem. Então, este Marômak que é Deus e Homem precisava de alguma coisa e por isso se matavam galos vermelhos e porcos vermelhos e se oferecia arroz vermelho. Vermelho significando o sangue. Os catuas lia nain na sua inspiração divina pressentiam também que este Marômak já tinha vindo e sofrido por todos.

Para os timorenses, a fé que os portugueses trouxeram veio completar a que eles já tinham. Deu-lhes a conhecer o Dono que eles adoravam através da Natureza, é o Deus que a fé católica lhes revela.

Rapidamente a religião católica se espalha porque depois de séculos de buscas, Marômak, que é Deus e homem segundo a fé tradicional, é descoberto na fé cristã. A religião católica, tornou-se para os timorenses a verdadeira ponte que liga o céu e a terra,
o caminho do homem para Deus. Depois da chegada dos missionários, os timorenses parecem conhecer melhor a sua própria religião.

Durante as últimas décadas, de certa forma, a identidade timorense sobreviveu através de uma relação de intimidade com a Igreja.


O Natal e a Páscoa

Tanto o Natal como a Páscoa são vividos intensamente em Timor. Tanto no tempo que antecede o nascimento como no tempo que antecede a morte de Cristo as pessoas preparam-se espiritualmente, vivendo-se um verdadeiro clima de paz e harmonia.

Há dinâmicas diferentes para estes dois tempos. No Natal, depois de se assistir
às celebrações religiosas, os familiares, no seu conceito alargado, visitam-se.
Quando os afilhados vão ver os seus padrinhos é costume oferecerem galos ou galinhas.
As famílias reúnem-se e celebram em casa ou num piquenique durante um passeio.
Na Páscoa, as pessoas preparam-se para assistir às cerimónias religiosas e depois voltam aos seus lares, celebrando a Páscoa no seio da família. Faz-se Catupa, e o jantar, muito importante, reúne toda a gente.

Na última semana do Advento começa-se a preparar o Natal, limpando-se a Igreja
e prepara-se o presépio. Os presépios, característicos pelo seu tamanho natural,
vêm-se por toda a capital, espalhados pelas ruas. Há mesmo um concurso que premeia
o presépio mais bonito.

Nas montanhas, as dificuldades em arranjar lâmpadas de Natal, levaram a uma solução que acabou talvez por resultar ainda melhor: as ruas são ladeadas de velas acesas,
até à Igreja.

As missas do Galo, variam de diocese em diocese, mas nunca demoram menos de três horas, vividas intensamente pelas Igrejas cheias. Tal como na Páscoa, o melhor é chegar um pouco mais cedo, caso contrário, ouve-se a missa, muito animada, entre a multidão que festeja o nascimento de Cristo nos jardins das Igrejas. Até à missa celebrada no dia 31 de Dezembro o ânimo é este. A missa de passagem de ano começa por volta das onze horas. Até à meia-noite faz-se silêncio. Esta é a hora para agradecer as graças recebidas durante o ano. Á meia-noite em ponto começa-se com a liturgia.

Durante a Quaresma o povo timorense vai-se preparando para a grande festa liturgica que é a Páscoa. Mais importante que o Natal, começam-se as celebrações no Domingo
de Ramos com uma enorme procissão em todas as paróquias.
Quinta-feira Santa realiza-se a missa de Ceia Pascal, com a cerimónia do lava-pés. Nesta cerimónia doze jovens, ou doze catuas, velhos, se for no interior, sentam-se para lhes serem lavados os pés.

A sexta-feira é muito importante. Em Dili, na paróquia de Balide, a celebração da Paixão do Senhor começa às três da tarde, hora da morte de Cristo. Depois Cristo é descido da Cruz e levado em procissão até ao cemitério de Santa Cruz. Este ritual foi iniciado pelo Padre António Eduardo de Paulo e Brito, pároco diocesano, natural de Goa que esteve cá cinquenta anos como missionário. O objectivo era fazer com que as pessoas entendessem melhor o sentido da Páscoa. A descida da cruz é teatralizada, o corpo de Jesus vai até Santa Cruz e regressa à paróquia, ficando exposto durante dois dias para ser venerado. No Sábado a missa, mais uma vez é celebrada com emoção, estando as igrejas cheias, assim como as áreas que as circundam.

Além do Natal e da Páscoa, outros dois momentos são vividos com especial emoção.
A procissão do Corpo de Deus, celebrada unicamente na diocese de Dili, para onde confluem os párocos das várias dioceses. O outro momento, é a procissão de Nossa Senhora, a 13 de Outubro, por quem os timorenses têm uma grande devoção.

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