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Organização Social

A família é a forma a partir da qual se edifica toda a estrutura social Timorense.
O casamento e com ele o barlaque, têm um complexo código de direitos e deveres que visam dificultar a sua dissolução. O noivo e a sua família, pagam um valioso dote à família da noiva, tentando compensar materialmente a perda de um elemento valioso e activo. A livre escolha do noivo ou noiva é limitada por regras precisas, que visam manter a riqueza em dotes dentro de determinada região, ou mesmo entre dois clãs familiares. Os casamentos funcionam como um negócio entre dois grupos. Esta exogamia permite manter a estabilidade económica timorense.

A estrutura da sociedade Timorense é muito antiga, coexistindo dois tipos de sistemas tradicionais políticos, distintos, em todo o território de Timor, apesar de um deles ser francamente predominante.

Esta estrutura política predominante que os portugueses encontraram no século XVI,
é fruto de uma cultura muito rica, a civilização hindu, que se espalhou por todas as ilhas do arquipélago. Reflecte então as relações culturais mantidas com o sudeste asiático.
O sistema de classes é confundido com o sistema de castas, existindo inúmeros impedimentos, especialmente, no que toca às questões de matrimónio e sucessão. É um sistema elaborado pelos belos, povos de língua tétum, e reflecte a diversidade rácica existente.

Quanto ao outro sistema, que subsistia nas montanhas, é um sistema de características democráticas, onde o chefe eleito, portanto sem sucessão hereditária, vê os seus poderes limitados pelo consenso geral.

Quanto à organização social, estrutura-se num tipo de feudalismo, chefiado por um monarca. Cada um dos reinos, correspondendo aos distritos, era administrado por estes reis, os liurais. Alguns deles, os mais importantes, eram considerados descendentes de entidades divinas, intitulando-se filhos de Deus, Maromac Ôan. A administração era feita através de uma complexa rede hierárquica. Cada reino estava dividido em sucos e estes em aldeias.

Os liurais, através de súbditos nobres da sua confiança, transmitiam as suas ordens aos chefes de suco e estes, aos chefes de cada aldeia. Estes chefes, liurais, chefes de suco,
e chefes de aldeia eram escolhidos livremente entre a classe nobre, logo, formavam uma poderosa e rica classe dirigente, que possuía por atribuição natural as terras, a autoridade de governar e exercia funções no campo da justiça.

A eleição dos liurais era feita pelos seus pares reunidos, os datós e familiares. No entanto, para que pudesse ser eleito deveria descender, quer do lado materno, como paterno, de famílias reais. Estes liurais podiam contrair matrimónio com mulheres do povo do seu reino, no entanto, uma delas deveria ser descendente de liurai, de forma a garantir possíveis candidatos ao trono. Ou seja, a poligamia é admitida e considerada como um sinal de nobreza e distinção, uma vez que implica que o homem tenha posses para pagar mais que um dote.

O povo, êma, poderia cultivar a terra mediante o pagamento de um imposto, o rai-ten. Assim, eles sustentavam a classe privilegiada, trabalhando gratuitamente, pagando impostos, guardando rebanhos, fornecendo-lhes víveres essenciais, entre outras obrigações.

Por último, existiam os escravos que, devido ao sistema ser pouco rígido, frequentemente permitia aos servos tornarem-se homens livres. Os escravos eram na sua maioria prisioneiros de guerra, lutuhum, ou gente comprada, os ata.

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